Clínica do Joelho e Ombro - Prof. Gutierres - Médicos e Ortopedia

TENDINITE DO BICÍPITE
 
A inflamação do tendão do músculo bicípite é das causas mais frequentes de dor ao nível do ombro. Pode existir de uma forma isolada, ou em associação com outras patologias desta articulação.

A palpação deste na goteira junto à cabeça do úmero, a flexão do cotovelo ou a antepulsão contrariada do braço com a palma da mão para a frente, despertam a sintomatologia e praticamente fazem o diagnóstico.
 
Além disso, nestas situações, a Ecografia ou a RMN mostram uma imagem muito típica em que é possível visualizar o tendão envolvido por um halo de edema ou liquido, característico do tecido inflamatório.
 
O seu tratamento é feito com repouso, anti-inflamatórios e Fisioterapia adequada. Em situações refractárias então a infiltração com corticosteróide dilúido em anestésico local, como a lidocaína, poderá ser a solução.
 
 
 
TENDINITE / CONFLITO DA COIFA DE ROTADORES
 
Este grupo de tendões pode sofrer um processo inflamatório (ou tendinite), provocando dor e limitação da mobilidade devido a um conflito de espaço com o tecto da articulação glenohumeral, formado pelo osso acromial.
 
Estas lesões são comuns não só em atletas, como também pessoas cujas actividades impliquem movimentos repetidos acima do nível da cabeça.
 
Podem ter origem degenerativa ou traumática, havendo uma certa correlação entre a incidência destas com o formato mais convergente do acrómio.
 
Tratamento 
Fisioterapia 
A fisioterapia associada com terapia anti-inflamatória permite a recuperação num número elevado de casos.
 
Infiltração
A infiltração de corticoesteróide no espaço subacromial, tem aqui uma das suas indicações principais. Embora muitas vezes associada pela voz popular com efeitos deletérios, quando correctamente executada no espaço extraarticular, muito diluída com anestésico, e em casos adequadamente seleccionados, pode obter a completa resolução dos sintomas.
 
Cirurgia
Só tem indicação para descompressão subacromial os casos nos quais o tratamento médico, incluindo a Fisioterapia e as infiltrações, não teve efeito.
 
Habitualmente a via artroscópica permite uma recuperação mais rápida visto não obrigar a qualquer desinserção muscular (do deltóide) para ser efectuada. 
 
 
 
ROTURA DA COIFA
 
A rotura da coifa dos rotadores caracteriza-se por um quadro clínico de dor não só em repouso como também ao mobilizar.
 
Alguns doentes apresentam um ressalto que se torna perceptível com a abdução do braço. É este movimento de abdução que habitualmente está mais limitado visto que fica dependente apenas do músculo deltóide, cujo braço de alavanca está prejudicada pela ascensão da cabeça umeral, que ocorre nas roturas completas.
 
A RMN é importante no estudo destes doentes não só para confirmação do diagnóstico, mas também como informação prognóstica e factor de decisão terapêutica, pois além de permitir avaliar o grau de retracção do tendão roto, avalia também a degeneração do mesmo e a sua progressiva substituição por tecido gordo.
 
Tratamento
• Fisioterapia
Os doentes idosos muitas vezes são exclusivamente tratados através de Fisioterapia, pois neste grupo etário, o objectivo principal a atingir é o controle da dor e a melhor funcionalidade.
 
Em doentes mais jovens, que habitualmente serão submetidos a cirurgia, a Fisioterapia tem a função de, pré-operatóriamente, recuperar as amplitudes articulares passivas, reduzir a inflamação e controlar a dor.
 
Pós-operatóriamente, permite a reabilitação completa do paciente.

Em termos musculares, além do reforço do deltóide é de esperar obter uma recentragem da cabeça umeral, através do fortalecimento dos músculos que contribuem secundariamente para esta função.
 
• Reparação Artroscópica
O tratamento cirúrgico das roturas da coifa está indicado em doentes idosos no qual o tratamento médico, com Fisioterapia e anti-inflamatórios, não controla a dor, assim como doentes mais novos nos quais se pretende melhorar a função e impedir a progressão da doença, reparando os tendões que se encontram rotos.
 
As cirurgias são efetuadas por via artroscópica, de forma a poder tratar também lesões intra-articulares e permitir uma reabilitação mais rápida.
 
As vantagens estéticas relativamente á cirurgia aberta clássica são de assinalar.